O Racismo no Brasil: ele existe, está explícito e só não vê quem não quer!

Atualizado: 4 de jan. de 2021

Aqui em nosso país, com aquele caráter não oficial, e mascarado pela sociedade e pelo governo, o racismo nada de braçadas!


Se a Lei Áurea (1888), conferiu liberdade jurídica aos escravos, estes nunca foram de fato integrados à economia e, sem assistência do Estado, muitos negros caíram em dificuldades após a liberdade, afinal, uma simples assinatura em um papel não resolveria séculos de exploração e segregação. Assim, desde a "Proclamação da República" (1889), não há referência jurídica a qualquer distinção de raça.


O racismo começava quando vinha à tona, a ideia do "branco superior", do darwinismo social (usados como desculpa esfarrapada para o também Imperialismo na África), incentivadas pelo próprio governo, como o "higienismo". Até pela razão da massiva imigração europeia já durante as leis escravistas do Brasil Império, com aquela máxima estampada na testa "É melhor ter um branco imigrante assalariado, do que dar o emprego assalariado para um negro ex-escravo".


E com o passar dos anos, fez-se a ideia do popular imaginário brasileiro que aqui não há racismo e que "todo mundo tem sangue negro nas veias". Talvez, por não existir uma segregação tão dura e cruel como ocorreu no sul dos Estados Unidos, criou-se e popularizou-se na nossa cabeça, que aqui "todo mundo é igual". Infelizmente, na prática, não é assim que funciona!

A mestiçagem, vista como o "clareamento" da população, criou raízes profundas na sociedade brasileira no início do século XX. Assim, os negros foram abandonando a sua cultura africana, substituída por valores brancos, o que faz das vítimas do racismo o seu próprio carrasco. Na prática, muitos negros(as) preferiram se casar com companheiros(as) de pele mais clara, visto que seus filhos teriam menos probabilidades de sofrer com o racismo. Contudo, a despeito de décadas de crescimento econômico, as disparidades sociais permanecem.


Mesmo com a "Lei Afonso Arinos" de 1951 ou a Constituição Federal de 1988, que torna o racismo um crime inafiançável, o Brasil ainda hoje é um reduto de práticas racistas e que, já estão no nosso dia a dia, no nosso cotidiano. Cometemos o racismo muitas vezes e nem percebemos! Desde expressões como "nas coxas", "serviço de preto", "a coisa tá preta" "não sou tuas negas" ou "ter um pé na cozinha" até perceber que nunca tivemos um presidente negro (nem como candidatos à presidência se costuma ver!).


Na escola, já parou pra pensar quantos professores negros já teve, ou por quantos médicos negros já foi atendido num hospital? Aí quando tem sistema de cotas numa universidade ou uma empresa abre um trainee para negros, é uma chiadeira só! Mas, quando a Xuxa fazia concurso pra paquita loira e de olhos claros, ninguém pestanejou ou criticou. Afinal, não há racismo por aqui, é tudo caraminhola na cabeça de quem vos escreve!


Aí vem os questionamentos do tipo: "e o racismo reverso?", "como posso ser racista se tenho amigos negros?". Bem, vai muito além disso, e o fato de você ter proximidade com uma pessoa negra não faz automaticamente você ser mais ou menos racista.


As implicações do racismo no Brasil, enquanto estrutura de dominação política, cultural e social, não alude somente à segregação socioeconômica dessa população. Implicam, de fato, em etnocídio e genocídio da população negra desde os primórdios da colonização portuguesa até os dias de hoje. O "apartheid social" se manifesta, portanto, na discriminação social que possuí uma dimensão racial implícita, onde a maioria dos desprovidos são negros ou de mestiços.

Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Brasil o preconceito é sempre atribuído ao “outro”. Assim, 63,7% dos brasileiros entendem que a raça determina a qualidade de vida dos cidadãos, principalmente no trabalho (71%), em questões judiciais (68,3%) e em relações sociais (65%). Ademais, 93% dos entrevistados admitiram o preconceito racial no Brasil, mas 87% deles afirmaram nunca sentiram-se descriminados; 89% deles afirmam haver preconceito de cor contra negros no Brasil, mas apenas 10% admitiram tê-lo. Por fim, 70% dos brasileiros que vivendo na miséria são negros ou pardos.


Você simplesmente achar que séculos de dominação e preconceito serão apagados do dia pra noite, numa lei ou assinatura de documento, sem mudar e educar a sociedade brasileira, é de fato uma utopia das bem grandes!


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Por Sérgio Amaral, Professor de História e Host do Podcast História e Sociedade.





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