Israel e Palestina: Breve história do conflito entre esses dois povos.

Durante muito tempo, mas em épocas distintas, a região da Palestina foi habitada por dois povos que, a partir do século XIX, iam começar a entrar em rota de colisão pelo espaço, e esses percalços duram até os dias atuais.


Para explorar o tema temos que começar a pontuar a história mesmo antes de Cristo, quando os hebreus deixaram de ser um povo nômade e se estabeleceram na região da terra de Canaã (Palestina). Hoje corresponde aos territórios de Israel, Cisjordânia, Líbano, parte da Síria e da Jordânia. Ali fundaram reinos e foram dominados por vários outros povos. Mas, durante o domínio romano, boa parte dos judeus (descendentes dos hebreus) foram expulsos ou migraram da região, e dali se espalharam pelo mundo durante 20 séculos.


Apesar disso, preservaram traços de sua identidade étnica comum, a semita. Seguiam o judaísmo, falavam hebraico e partilhavam costumes. Sofreriam perseguições por séculos, porém, a mais marcante e até mais recente foi pelo regime nazista liderado por Hitler a partir de 1933.


Quanto ao povo árabe, também eram nômades e dispersos que viviam na península Arábica. No século VII, com a fundação do islamismo, esse povo se uniu em torno de uma crença comum, chamados de muçulmano. Eles viviam na região que hoje conhecemos como Oriente Médio, foram dominados pelos Otomanos até o fim da 1ª Guerra Mundial, e depois, ainda foram submetidos a colonização europeia (França e Reino Unido).


No fim do século XIX surgiu um movimento que defendia a união dos judeus, no sentido de resgatar sua nação e origens, voltando para a Palestina. Movimento fundado por Theodor Herzl (1860 - 1904), conhecido como sionismo. O problema eram os quase 20 séculos em que aquelas terras haviam sido habitadas por vários povos, e, naquele momento, estavam ali os árabes. Ali, provavelmente, ocorria o primeiro desencontro entre os dois povos na região.


Após a chegada dos primeiros judeus à Palestina no século XIX, começou uma revolta por parte árabe na região, mas sem sucesso. A ida dos judeus continuou no início do século XX, precisamente a partir da década de 1920 e aumentou ainda mais com a ascensão do nazismo a partir da década de 1930.


Com o fim da 2ª Guerra Mundial, o fluxo migratório aumentou sensivelmente, já que após o genocídio promovido pelos nazistas, deu impulso para que eles conquistassem apoio político para formar seu próprio país na Palestina, o problema claro, era a região estar habitada pelo povo árabe havia várias gerações.

Mapa representando o avanço territorial de Israel ao longo dos anos.


Em 1947, a ONU (Organização das Nações Unidas) propôs a formação de dois Estados na Palestina, um judeu e um árabe. Os territórios árabes eram descontínuos, porém, mais extensos do que as áreas ocupadas por eles atualmente. A cidade de Jerusalém seria um território internacional, governado pela ONU e o restante seria o Estado de Israel. O problema foi que os judeus aceitaram a proposta mas os árabes não. Consideravam a divisão injusta, pois eram a maioria da população e tinham apenas 43% do território.


A partir de então, surgiram muitos conflitos entre os dois povos na região. Onde podemos destacar a Primeira Guerra Árabe-Israelense em 1948, onde houve um avanço territorial por parte de Israel, limitando os árabes a se refugiarem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.


Ainda na década de 1940, um movimento conhecido como pan-arabismo ganhou força entre outros países da região como Egito, Síria, Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, Iraque e Iêmen, fundado a Liga Árabe. Em 1964, surgiria liderado pelo egípcio Yasser Arafat (1929 - 2004), a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), optando pela luta armada como meio para derrotar Israel.

A Guerra dos Seis Dias foi um dos conflitos que acabariam com vitória dos israelenses.


Viriam, em seguida, a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra de Yom Kippur (1973), com vitórias israelenses em ambas, apesar de perdas expressivas no segundo conflito.


Desde então, israelenses e palestinos vivem em clima de hostilidades. Até houveram tentativas de acordos de paz, como durante a década de 1990 com Arafat e Yitzhak Rabin (1922 - 1995), mediados pelo então presidente estadunidense Bill Clinton, nos chamados Acordos de Oslo. No entanto, os radicalismos de ambos os lados impedem um acordo definitivo e a questão ainda está, até o momento, longe de uma resolução final.

Rabin (esquerda), Clinton (centro) e Arafat (direita), durante os Acordos de Paz de Oslo na década de 1990.


Referências Bibliográficas:


FINKELSTEIN, N. G. Imagem e realidade do conflito Israel-Palestina. Trad. De Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2005.


W. M, AUGUSTO. Geopolítica, do pensamento clássico aos conflitos contemporâneos. São Paulo: Edit. Intersaberes, 2018


DUPAS, G., VIGEVANI, T. (orgs.) Israel e Palestina. A construção da paz vista de uma perspectiva global. São Paulo; Ed. UNESP, 2002


Por Sérgio Amaral, historiador e host do Podcast História e Sociedade.


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