"A Marcha para o Oeste" em Goiás: Como Vargas e Pedro Ludovico enfraqueceram oligarquias locais.

Atualizado: 4 de jan. de 2021

Após a Revolução de 1930, o primeiro torna-se Chefe de Estado e o segundo interventor do estado de Goiás. Nesta perspectiva, entendemos que para se firmar como interventor em Goiás, Pedro Ludovico privilegiou a construção de uma nova cidade-capital para o estado, com o intuito de romper uma estrutura oligárquica.


Getúlio Vargas, na condição de Chefe de Estado, apoiou o projeto de transferência da capital goiana apresentado por Pedro Ludovico. Podemos afirmar que ambos lograram êxito na produção de marcas para seus governos, pois foram quinze anos de governabilidade ininterruptos, de 1930 a 1945. Ambos retornaram ao poder executivo, em 1951, para permanecerem, aproximadamente, por mais quatro anos em seus respectivos cargos: Vargas, como Chefe de Estado, e Ludovico, como governador de Goiás.


Goiânia, não foi atrelada a nenhum programa de migração do governo federal. Nos vários atos em torno da construção de Goiânia - desde o anúncio de Pinheiro Chagas, até o ‘batismo cultural’ - não presenciamos a ideia de que a nova capital serviria para descongestionar a população de outras áreas urbanas do Brasil.

Representação da chamada "Marcha para o Oeste" em Goiás


A cidade de Goiânia é um dos símbolos da Revolução de 1930, podendo ser considerada como “filha” dessa revolução empreendida por Getúlio Vargas. Goiânia nasceu das necessidades de descentralização do poder local do estado de Goiás, então concentrado em famílias oligárquicas, como as famílias Caiado, Jardim e Bulhões, — ocorrência típica de regiões do interior do Brasil na denominada “República Velha”.


A necessidade de transferência da capital — que era, à época, a Cidade de Goiás — para outra região já era tema secular (o primeiro governador da província de Goiás, Conde dos Arcos, já havia sugerido, na década de 1750, ao rei de Portugal que se fizesse a transferência da capital para o município de Meia Ponte – atual Pirenópolis). No entanto, somente com a ruptura política varguista foi possível a sua consolidação. Como o objetivo de Vargas era centralizar o poder na nova república que se erguia, o enfraquecimento das oligarquias locais era terminantemente necessário. Construir uma nova capital em Goiás simbolizava a nova política que se erguia, ao passo que tornava psicologicamente evidente a descentralização do poder local.


Para tanto, Vargas nomeou como interventor em Goiás Pedro Ludovico Teixeira (foto à esquerda), que, a partir de 1932, começou a estudar e a elaborar o plano para mudança da capital, que se fazia urgente à época. Nem a forte oposição política que julgava dispendiosa a construção da nova capital impediu que os planos de Ludovico fossem levados a cabo, já que tanto o interventor quanto a cúpula dos revolucionários de 1930 consideravam a construção da nova cidade um investimento, e não fonte de gastos desnecessários.


A inauguração efetiva de Goiânia só ocorreu em 1937, ano em que os primeis edifícios ficaram prontos. Para sua concepção urbanística e arquitetônica, foram contratados os serviços do arquiteto e urbanista Attlio Corrêa Lima, que se inspirou no modelo das cidades-jardins do urbanismo francês para definir a estrutura de Goiânia.


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Por Sérgio Amaral, Professor de História e Host do Podcast História e Sociedade.






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